
"O povo tem alma de escravo e aceita". A opinião é do vereador da oposição na Câmara Municipal da Calheta, que não poupa críticas ao desinvestimento camarário no Concelho, e muito particularmente no Paul do Mar. Considera mesmo que esta freguesia "foi abandonada pela autarquia". Segundo Martinho Câmara, "desconhece-se qualquer tipo de investimento" em particular no Paul do Mar. O autarca do CDS-PP denuncia que "a ausência de investimento público não se verifica só neste mandato, mas já vem de mandatos anteriores. A única obra que lá se fez foi um bairro para habitação social", aponta. O único vereador da oposição calhetense não cala a sua revolta perante aquilo que diz ser a realidade actual. Garante mesmo que "as expectativas dos calhetenses que depositaram o voto e a sua confiança no PSD, saíram completamente defraudadas". Diz mesmo que "o descontentamento atinge os próprios membros da Junta. Até entenderia a situação caso este abandono fosse de uma Junta que tivesse outra cor partidária que não a da Câmara". No 'rol' das críticas, aponta a falta de dignidade do edifício da Junta de Freguesia, uma vez que funciona "em cima das casas de banho públicas. É um espaço completamente desajustado à realidade actual". Também junto ao novo cais, "esqueceram-se da lota. A actual funciona num caixote velho. É um contentor todo ferrugento, sem condições de funcionamento e sem qualquer higiene alimentar", garante. "O calcetamento entre o cemitério e o porto, já deveria ter sido feito, o Lar de Dia ainda não foi cumprido, o Núcleo Histórico do Porto do Paul do Mar está a precisar de um Plano de Requalificação e de um Plano de Pormenor, mas ainda nada disto foi feito", assegura. De resto lembra que "já estamos praticamente a um ano do final do mandato e até agora ainda não se viu nada. A única coisa que ainda se assiste, é o prolongamento da via expresso dos Prazeres até a Ponta do Pargo, que é uma obra do governo. De resto mais nada", acusa.
Também o Festival de Marisco na Calheta serve igualmente para agravar o distanciamento em relação ao Paul. "Depois de esquecerem-se do Paul, pior ainda, vêm agora de uma forma pomposa apresentar a organização de um Festival de Marisco", contesta Martinho Câmara. "Os pauleiros neste momento devem estar descontentes com a Câmara, por esta em vez de ajudar na reedição da Festa da Lapa, que era um evento já cartaz na freguesia e que servia de incentivo a aqueles que se dedicam à apanha deste marisco e que também ajudava o próprio comércio local, acabou por preterir este acontecimento para fomentar o Festival do Marisco", critica. O autarca do CDS esclarece contudo: "Nós não somos contra a realização deste festival, mas somos contra a forma como a Câmara abandonou os pauleiros, e em detrimento disso realiza um festival com esta dimensão noutra freguesia". Voltando ao tom mais crítico, Martinho Câmara contesta: "Deixam de dar um apoio mísero a uns e agora aparecem a organizar um Festival com um grande cartaz, onde com certeza não faltará, como habitualmente, um grande palco, um potente som e uma iluminação a condizer". Acusa mesmo a Câmara de continuar a "dar uma imagem de riqueza que não sei se existe. Por um lado anda a renegociar a dívida que ascende a mais de seis milhões de euros, e por outro vem dar uma imagem de grandeza e de poderio, quando na realidade os momentos são de miséria", concluiu.
Jornalista: Orlando Drumond