

A 'presença' de vários cubos antifer junto ao cais de acesso ao mar, na praia da Ribeira das Galinhas, tem gerado algum protesto entre a população e os veraneantes que se deslocam ao Paul do Mar.
Os banhistas alertam para o perigo, mas tanto a Junta de Freguesia como a Câmara Municipal da Calheta remetem a responsabilidade de remoção dos cubos antifer para a Secretária Regional do Equipamento Social.
"Já avisamos a Câmara... Há dias, alguém até escreveu umas coisas a vermelho nas rochas, mas os homens da Câmara foram lá e taparam com spray", afirma Emanuel Baptista, presidente da Junta de Freguesia do Paul do Mar (?).
Quem frequenta habitualmente a praia da Ribeira das Galinhas confirma uma mensagem escrita sobre as rochas a alertar para "perigo de vida".
A Junta de Freguesia do Paul, apesar de reconhecer o perigo para os banhistas, diz-se impossibilitada de agir, por falta de meios. Já o vereador do Ambiente da Câmara Municipal da Calheta atribui a responsabilidade da remoção dos blocos de cimento ao Equipamento Social.
"Nós já transmitimos isso ao Governo, uma vez que aquilo está na orla marítima é da alçada da Secretaria Regional do Equipamento Social", refere Júlio Freitas, responsável pela tutela ambiental na Câmara Municipal da Calheta.
Segundo o autarca, os cubos antifer terão sido arrastados até a praia, na sequência do mau tempo que danificou inclusive os muros de suporte da ETAR situada junto ao litoral, na sítio da Ribeira das Galinhas.
"O mar mexeu aquilo tudo, vai ser preciso recorrer a uma grua, mas pensamos que o Governo vai resolver o problema quanto antes", adiantou, esta sexta-feira, o vereador Júlio Freitas.
Pequenos incidentes sucedem-se
Até agora os incidentes ocorridos na Ribeira das Galinhas não têm suscitado grande apreensão, mas o perigo é iminente, alertam os veraneantes. "Um dia ainda alguém abre aqui a cabeça", frisa Manuel Domingos, chamando também a atenção para o facto de "o cais estar cheio de lodo".Se o mecânico tem tido "sorte" nas idas ao mar, já Ricardo Rodrigues, vendedor de automóveis, não pode dizer o mesmo. "Ontem, [sexta-feira] magoei-me um bocado no pé... a onda desceu, não reparei nos tetrápodes e foi o suficiente para eu ferir o pé", conta.
O funchalense revela-se, sobretudo, preocupado com as crianças. "Já vi miúdos a se atirarem para o mar, sem saberem o que está ali, as pessoas têm tido sorte em não se magoarem a sério", vinca.
Carla Rebolo procura, com frequência, a praia da Ribeira das Galinhas, mas esta semana também não se livrou do susto ao embater contra um dos cubos antifer. "Ia-me magoando", exclama.
A administrativa e os amigos deslocam-se deliberadamente, entre o Funchal e o Paul do Mar, para usufruir do pequeno espaço balnear cujo estado de conservação não é o desejável.
"A escada de acesso ao cais caiu por causa da ferrugem, há imenso lodo... é realmente uma pena", lamenta Carla Rebolo.
O sossego e "o bom ambiente da praia" são duas das razões que levam Marco Sá com muita frequência à Ribeira das Galinhas. O polícia lamenta, contudo, a falta de investimento no recinto.
"O acesso ao mar está realmente muito perigoso, não dá para mergulhar e o problema é que, quando a maré está baixa, as pessoas não vêem os tetrápodes e podem se magoar", enfatiza Marco Sá.
Nota 1: Será que no Paul do Mar, há novo presidende da Junta e ninguém sabe disso?
Nota 2: No meio de tantos entrevistados, não ouviram a opinião de um pauleiro.