segunda-feira, 14 de abril de 2008

Paul do Mar, na edição de hoje do Jornal da Madeira

Pescadores querem nova lotaOs pescadores do Paúl do Mar querem uma nova lota. Sem poderem ir para o mar, em dia de “tempestade” (na passada quarta-feira, dia em que as ondas atingiram proporções fora do comum), os “lobos do mar” contaram à nossa equipa de reportagem quais os problemas que afectam a classe.Sem quererem indentificar-se, os pescadores afirmaram que desde que foi construído o cais do Paúl, a lota funciona num contentor e aguardam ansiosamente por uma nova infra-estrutura que tenha as condições necessárias para desevolverem a sua actividade. Segundo referem, «nós merecemos a mesma coisa que os outros merecem». «Não estamos a dizer para tirarem de lá para pôr cá», acrescentam. Para além disso, reclamam por gelo para o peixe e por gasóleo para as embarcações, para não terem de percorrer distâncias tão grandes para abastecer as embarcações.Autoridades marítimasexageram nas vistoriasPor outro lado, os pescadores não deixam de apontar o dedo às autoridades marítimas, pois consideram que estas exageram nos patrulhamentos. Segundo referiu um nosso interlocutor, «no primeiro dia em que deitei a minha embarcação ao mar este ano tive logo uma vistoria da patrulha». «Não sou contra o facto de virem a bordo, mas todos os dias é demais», acrescentou.Por seu turno, um outro pescador disse que as autoridades «molestam muito as pequenas embarcações, que estão simplesmente a pescar para comer». «Nós não somos contrabandistas», queixou-se, sustentando que «têm de fazer a patrulha é nas 200 milhas, para não deixar entrar droga». Outra das reivindicações da população do Paúl do Mar passa pela construção de uma marginal entre o cais e o cemitério, para beneficiar o trânsito e para proteger as habitações da fúria do mar.Há muito por fazer mas também há coisas boasJosé Fernandes, outra das pessoas que acedeu falar à nossa reportagem, diz que ainda há muito por fazer na freguesia, mas reconhece também que há várias coisas que foram feitas com qualidade, tais como o Centro de Saúde, que «é uma infra-estrutura muito boa e que permite que as pessoas não tenham de se deslocar à Calheta quando precisam». Além disso, afirma que o hotel tem uma importância fundamental para a economia e desenvolvimento do Paúl, tendo em conta que atrai muitos visitantes à freguesia. Por outro lado, José Fernandes, que critica a localização da ETAR, considera que há que criar mais infra-estruturas de apoio à praia e rampas de acesso ao mar. Por fim, este morador afirma que há que atrair mais investimentos, por forma a criar mais postos de trabalho.Calçada portuguesa entre a Igreja e o caisO arruamento interno entre os sítios da Igreja e das Quebradas, no Paúl do Mar, vai mudar de imagem.Segundo o secretário da Junta de Freguesia, João Pedro Fernandes (que está a substituir o presidente, que está com problemas de saúde), a Junta e a Câmara da Calheta estão a perspectivar calcetar aquele arruamento com calçada portuguesa. O nosso interlocutor diz que esta é uma forma de tornar aquela zona mais atractiva e com uma imagem renovada. Com o novo visual, este arruamento estreito por entre as casas irá assemelhar-se às ruelas do Bairro de Alfama.A outro nível, João Pedro Fernandes refere que a Junta de Freguesia está a proceder à limpeza e recuperação das veredas da freguesia, em conjunto com a Câmara Municipal. Este responsável diz que este órgão de poder local até gostaria de poder fazer mais, mas vê-se impossibilitado, por falta de verbas.Mesmo assim, não deixa de apontar uma infra-estrutura que gostaria de ver nascer no Paúl do Mar, mais concretamente um centro cívico que englobasse as instalações da Junta e da Casa do Povo.Festival do MariscoA Junta de Freguesia e a Casa do Povo do Paúl do Mar voltam a organizar, no Verão, o Festival do Marisco. De acordo com João Pedro Fernandes, o evento deverá realizar-se no segundo ou terceiro fim-de-semana de Julho.Segundo este responsável, esta é uma iniciativa que costuma atrair muitas pessoas à freguesia, entre as quais muitos emigrantes, que nesta altura estão de regresso à sua terra natal para passar férias, alguns deles de propósito para participar nesta festa.

Fonte: Jornal da Madeira - Ricardo Caldeira

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