sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Madeirenses escapam a tsunami na Samoa

Há cerca de cem portugueses na Samoa. Alguns são pescadores do Paul do Mar
O sismo e o tsunami de terça-feira na ilha de Samoa, no Pacífico sul, pouparam as vidas e os bens dos pescadores açorianos e madeirenses, cerca de cem no total, que na sua maioria ali se fixam sazonalmente.
Edgar Feliciano, natural da ilha do Pico (Açores) e residente na Samoa há 20 anos, disse ontem à Lusa que "não houve problemas com portugueses" em resultado do sismo de magnitude 8.0 e do tsunami que fez pelo menos 150 mortos, segundo o balanço mais recente. "A nossa frota estava toda fora a pescar. Só um [barco] estava dentro [do porto] e não teve problemas. O barco estava amarrado à doca, a tripulação foi mandada evacuar", disse Feliciano, que foi para Samoa como pescador e trabalha hoje numa fábrica de processamento de pescado. Com um tio e sua família directa - a mulher é natural da vizinha ilha de Tonga - Feliciano e os seus parentes constituem o pequeno núcleo de residentes portugueses na ilha. Mas existe uma população flutuante, que faz temporadas de pesca, como sucede actualmente, juntando cerca de uma centena de pessoas. "A frota começou a vir para cá em 1983, a maioria portugueses açorianos, quase todos da ilha do Pico, e outra parte da Madeira, Paul do Mar", afirmou. "Antes pescavam na América do Sul ou Pacífico, na Califórnia, mas depois abriram uma fábrica de peixe cá, a maior do mundo, e [a frota] começou a vir por causa da grande quantidade de peixe que se encontrava. É o meu caso", disse. O tio de Feliciano é dono de cinco barcos, dos quais quatro estavam no mar e outro no porto, quando se deu o tsunami. Nenhum sofreu estragos, mas na fábrica onde o português trabalha "está tudo fechado" devido aos grandes danos e assim deverá ficar 2 a 4 semanas. Em duas décadas no sul do Pacífico, o açoriano já havia vivido sismos e alertas de tsunami mas "nada a este nível".
Fonte: Diário

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