
O Gabriel é para os Combatentes, não só um cidadão-militar português, camarada que tombou ao serviço da Pátria, como é um símbolo do soldado esquecido pelo País. Com toda a dignidade e emoção apelamos aos governantes, nesta sentida e justíssima cerimónia fúnebre, em que o Gabriel repousará no chão santo da freguesia da sua naturalidade e onde começara a despontar um jovem exemplar, para que apoiem a Liga dos Combatentes nesta missão humanitária e patriótica
Na revista o Combatente, um alferes mil., agora advogado, que serviu na Guiné escreve …viviam-se situações de grande dramatismo … criaram-se laços de grande solidariedade, amizade e lealdade sem limites entre os operacionais, oficiais, sargentos e praças, com exemplos de grande heroísmo, coragem e bravura, que os mantêm ligados até o fim das suas vidas... Aqueles que tiveram a honra e o privilégio de comandar soldados (os melhores do Mundo) no teatro de operações, tirando a parte negativa da guerra … jamais esquecerão o convívio humano, que há manter-se até sempre…
São estes Heróis, quais desconhecidos e esquecidos, que entre 1954/75 pegaram em armas nos teatros de operações ultramarinos (T.O.) e que o País, por receio, cobardia ou propósitos condenáveis, quiz ignorar olhando-os com desdem. Em contrapartida, assistia-se ao desplante de defender-se a atribuição de pensões vitalícias, moeda de compensação à perseguição que sofreram no regime de então, a uns que, por medo ou outras razões, saltaram fronteiras, furtando-se ao Dever que a Pátria exigia. A “história não dorme” e há-de pôr em relevo aqueles que … jamais esquecerão o convívio humano. E os Verdadeiros historiadores, então já libertos de complexos partidários e dos traumas do politicamente correcto, hão-de gravar nos pergaminhos da nossa História, a odisseia militar das nossas gerações de jovens entre 1954 – 1975.
Finda a 1ª Guerra Mundial, na qual Portugal foi envolvido na luta contra alemães na Europa e África, jaziam milhares de ossadas de combatentes sem identificação. Perante uma situação insolúvel, num acto patriótico e de respeito humano por esses Heróis Desconhecidos, foi na Europa evocada a sua memoria no Soldado Desconhecido, com honras militares e de Estado. No secular Mosteiro da Batalha estão depositadas, desde Abril de 1921, duas ossadas do Soldado Desconhecido (Africa e Europa), enquanto pelo País, por iniciativa oficial, foram erguidos Monumentos aos Combatentes da 1.ª Grande Guerra, inaugurados com honras nacionais.
Lamentavelmente assistimos, hoje, a um aparente alheamento oficial pelas ossadas de muitos dos 8.290 combatentes mortos nos T.O. e que restam esquecidos nos Cemitérios Militares e nos ex-Quartéis ultramarinos. Até quando?
No País e no estrangeiro os monumentos recordando os Combatentes do Ultramar, foram iniciativa dos Combatentes. E na mesma linha, elementos da União dos Paraquedistas Portugueses (UPP), fiéis ao seu lema, ninguém fica para trás, decidiram-se por ir à Guiné exumar as ossadas de três Paras enterrados no quartel fronteiriço de Guidage, onde em Maio 1973 ocorrera uma operação de cerco de grande envergadura. Para Portugal e uma vez identificadas, trouxeram também três ossadas inumadas na mesma vala. Uma das ossadas é a do ex-1.º cabo Gabriel Telo, da Companhia de Caçadores n.º 3518/BII19, natural do Paul do Mar e cuja urna vai ser entregue à família na Madeira em 21 Novembro por uma delegação da UPP, gesto de grande significado e valor desta tropa de elite. Na noite de 21/22Nov a urna ficará em câmara ardente na Capela do Monumento ao Combatente na mata da Nazaré, partindo em cortejo fúnebre às 09h30 do dia 22Nov para o Paul do Mar. Às 11h00 decorrerá a cerimónia religiosa na Igreja Matriz, onde o falecido foi baptizado e serviu como sacristão. Daí seguirá para o Cemitério local, com Honras Militares.
O Gabriel é para os Combatentes, não só um cidadão-militar português, camarada que tombou ao serviço da Pátria, como é um símbolo do soldado esquecido pelo País. Com toda a dignidade e emoção apelamos aos governantes, nesta sentida e justíssima cerimónia fúnebre, em que o Gabriel repousará no chão santo da freguesia da sua naturalidade e onde começara a despontar um jovem exemplar, para que apoiem a Liga dos Combatentes nesta missão humanitária e patriótica de localização e trasladação das ossadas dos nossos Heróis (caso a caso, com a anuência das famílias), pondo-se termo à indiferença vivida e ao menos respeito pela memória daqueles a quem foi exigido o sacrifício supremo.
No cortejo fúnebre e nas cerimonias de evocação ao Soldado Esquecido, pretendemos relembrar ao País a obrigação de custear a trasladação das ossadas dos “Gabrieis”, ainda abandonadas no campo africano.
Numa comunhão de princípios, a comissão organizadora do Monumento ao Combatente Madeirense, convida todos os combatentes, familiares e demais população a participarem nesta Homenagem pública, incorporando-se nas cerimonias de evocação e exaltação ao Soldado Português.

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