Ontem, novo desprendimento de pedras caiu sobre o asfalto.Os automobilistas estão revoltados e já não sabem o que fazer para chamar atenção face às 'orelhas moucas' dos governantes. Até Manuel Baeta, presidente da Câmara Municipal da Calheta, reclamou aos microfones da TSF-Madeira, a construção de túnel rodoviário de acesso ao Jardim do Mar como alternativa à estrada que actualmente existe.
Do lado popular dizem ter feito de tudo. Foram efectuados vários abaixo-assinados a reivindicar uma estrada com maior segurança, mas asseguram estar fartos e cansados por não verem uma solução à vista. Tudo porque, num espaço de uma semana, duas derrocadas de grandes dimensões se abateram sobre a estrada de acesso à freguesia do Jardim do Mar que na manhã de ontem voltou a bloquear o trânsito impedindo a passagem, em especial aos alunos de da Escola Básica e Secundária da Calheta que assim não conseguiram chegar à escola no horário habitual.
O histórico de registo de ocorrências neste troço rodoviário é longo. Dizem os automobilistas e residentes que os desprendimentos da escarpa acontecem agora em zonas onde anteriormente não se registavam com tanta frequência. A explicação está nas fortes chuvas que assolaram a Madeira e que assim originaram novas linhas de água. Ora, essa situação leva a que a água abra caminho em áreas de manto rochoso instável, originando consequentemente sucessivos aluimentos.
De acordo com relatos recolhidos na localidade, a derrocada (à saída do túnel de ligação ao Paul do Mar) aconteceu cerca das 00h45 da madrugada, causando enorme estrondo na freguesia.
Ontem, pela manhã ao DIÁRIO e à TSF-Madeira, José Costa, João Spínola, José Teles e Renato Pedro, foram apenas quatro exemplos de uma população furiosa que não calava a sua revolta, exortando o Governo Regional a construir rapidamente um acesso com maior segurança sob pena de vir a ser acusado e responsabilizado por eventuais vítimas mortais.
José Teles, residente no Funchal, por força da sua profissão, disse utilizar frequentemente esta via. "Todos os dias há rocha no caminho. Todos. Para lhe ser sincero tenho medo de passar aqui". Mais. "No sábado para chegar ao Funchal tive de ir a pé".
A opção dos automobilistas saírem das localidades para os seus empregos, foi o acesso Paul do Mar/Fajã da Ovelha, mas curiosamente estavam também a ser removidos diversos entulhos do temporal de 20 de Fevereiro.
Fonte: Diário/Victor Hugo
Fonte: Diário/Victor Hugo

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