sábado, 21 de novembro de 2009

Vigília pelo 1.º cabo Telo

Os restos mortais do 1.º Cabo Gabriel Ferreira Telo, que faleceu na Guiné em Maio de 1973, chegam hoje à Região. A urna, com as ossadas, será levada para o Monumento ao Combatente Madeirense no Ultramar, onde ficará em câmara ardente na capela daquele espaço, situado no complexo habitacional da Nazaré.
Amanhã, às 9h30, iniciar-se-á o cortejo fúnebre da Nazaré com destino à Igreja matriz do Paul do Mar, onde será celebrada uma missa às 11h00. O funeral, apeado, será pelas 12h00, com destino ao cemitério local, com honras militares.
Numa nota enviada, à nossa redacção, pela comissão organizadora do Monumento ao Combatente Madeirense no Ultramar, é referido que este combatente, que faleceu na Guiné, recorda que Gabriel Telo «embarcou para a Guiné em Junho de 1971. Pertencia à Companhia de Caçadores n.º 3518 do Batalhão de Infantaria n.º 19, do Funchal», na altura com 21 anos.
A poucos dias do final da comissão de serviço, recorda o documento, «ocorre o cerco à guarnição de Guidage, em Maio de 1973. A guarnição estava já sem mantimentos nem munições».
Tal como refere a mesma fonte, a companhia n.º 3518, constituída por madeirenses, foi nomeada para fazer parte da escolta de uma coluna a Guidage. E conseguiu romper o cerco. Durante a sua estadia em Guidage, a companhia sofreu vários bombardeamentos. Num deles, uma granada provocou a morte de Gabriel Telo.
Tal como se pode ler na nota informativa, «apenas em 2008 foi possível proceder à exumação dos restos mortais de dez militares que ali tiveram de ser inumados devido ao cerco. Um deles era Gabriel Telo. Este trabalho foi feito por uma missão da Liga dos Combatentes, cuja equipa de missão era constituída por elementos da União Portuguesa de Pára-quedistas, muito interessada nesta acção, porque entre as ossadas a recolher estavam as de três pára-quedistas também mortos na operação de socorro a Guidage».
Feita a exumação, as ossadas ficariam, para sempre, no cemitério de Bissau. Diz o documento que «o Estado português não as devolve às respectivas famílias, no caso destas desejarem tê-las junto de si, excepto se elas pagarem todas as despesas que isso implica, o que é incomportável para a esmagadora maioria».
Refere ainda a nota informativa que «o Estado português, que lhe tirou os filhos para combaterem em África, onde morreram ao serviço, não suporta os custos da sua trasladação para Portugal, bem como os seus funerais, caso os pretendam ter junto de si».
Mas, refere também o documento, os pára-quedistas mostraram-se sempre firmes no seu desejo de trazer as ossadas para Portugal. E foi devido a essa persistência que os restos mortais de Gabriel Telo regressam ao Paul do Mar «e dar uma consolação a sua mãe, irmãs e outros familiares que o aguardaram 35 anos».
A Comissão Organizadora do Movimento ao Combatente Madeirense no Ultramar não deixa de salientar, além da União Portuguesa de Pára-quedistas, a colaboração imprescindível de várias entidades para que esta missão se concretizasse, nomeadamente, a TAP – Air Portugal, a Associação de Empresas Lutuosas, bem como o Chefe do Estado Maior.
Por fim, a Comissão Organizadora do Movimento ao Combatente Madeirense no Ultramar aproveita esta oportunidade para convidar «todos os combatentes, familiares e demais população a comungarem nesta homenagem, incorporando-se nas cerimónias de evocação dos militares que ainda se encontram sepultados em África».
Fonte:
Jornal da Madeira/Marsílio Aguiar

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