A população do Paul do Mar e do Jardim do Mar viveram horas de tormento, depois da intempérie de sábado. A chuva começou a cair com muita intensidade na madrugada de sábado e só parou pelas 10 horas, abrindo passagem por caminhos onde a água já não passava há mais de 60 anos.
As duas portas de entrada e saída para as freguesias ficaram bloqueadas por uma série de derrocadas. Para o lado do Estreito da Calheta, quatro deslizamentos de terra e pedra tornam ainda hoje impossível a circulação de veículos. A solução foi abrir caminho pela antiga estrada, a partir da Fajã da Ovelha, por entre muita lama e pedra.
Porém, se muitos já consideravam esta estrada perigosa, agora o medo é redobrado. É que as escarpas estão saturadas de água e a ameaça de queda de pedras faz tremer, literalmente, quem por ali é agora obrigado a passar. Um comerciante, em declarações ao JM, queixava-se mesmo do facto de, desde sábado para cá, apenas ter recebido stock por parte de uma empresa de abastecimento de bebidas. «O resto, ninguém telefona ou dá explicações», lamenta Elvio Fontes, que a medo, lá vai arriscando subir a estrada no seu carro para poder apetrechar o seu bar.
«Sou médico e tenho passado com muito receio», confessa também Justino Abreu Santos. «A estrada está em péssimas condições», insiste este médico que, duas vezes por semana, lá tem de subir a antiga estrada para se deslocar à Ponta do Pargo. Ainda assim, assume que o perigo espreita mais vezes do lado do Jardim do Mar. «Cai pedras muito maiores», justificou.
Ao JM, aproveita para deixar um lamento pelo facto de nenhuma entidade responsável se ter deslocado, ainda, ao Paul. «Seria importante. Dizer que não se sabia, ao fim de cinco dias, que a estrada estava interrompida é uma coisa que não aceito», complementou, lembrando que a freguesia esteve completamente cortada durante dois dias.
As crianças do Paul e Jardim do Mar que frequentam os estabelecimentos de ensino secundários fora das freguesias também estão impedidas de assistir às aulas, pois o transporte escolar tarda em chegar. Já as escolas primárias têm funcionado bem, à excepção do pessoal docente. «Têm um grande receio da estrada porque ela mete mesmo um respeito enorme», diz-nos Hélder Rogério, director da Escola Básica do 1.º Ciclo do Paúl do Mar.
Situações que levam os populares a solicitar a concretização rápida da ligação em túnel entre a Ribeira Grande e o Jardim do Mar, que já fez parte dos planos do Governo Regional. Questionado sobre esta questão, Manuel Baeta, o autarca local, concorda que seria o ideal. «É uma estrada que está sempre condicionada todo o ano, mesmo no verão. Acho que as populações têm razão e eu próprio assumo isso. É prioritário um túnel para o Jardim do Mar», disse (....)

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